domingo, 27 de setembro de 2009

Se Durkheim estivesse vivo...

Primeiro post! Uh!
Não fugindo à Filosofia (claro), vamos analisar a seguinte situação:
Aula de Sociologia, poucos dias antes da prova! Aquela tensão começa a nos remoer, aquele pavor...
Como diz minha professora de Filosofia "A prova é um momento de raro prazer"! SIM, é de raro prazer mesmo, penso que ela deva achar que nós todos somos masoquistas, mas enfim...
A aula era sobre Durkheim e, não sei de onde surgiu o assunto (que raio caiu naquela sala) que começaram a falar dos movimentos sociais. Daí então (inexplicavelmente) surgiu o movimento da Parada Gay no assunto!
Pronto! Durkheim ficou completamente fora de foco e o assunto girou em torno da tal parada do orgulho gay.
De repente me levanta um rapaz e diz: "Eu não sou a favor da parada gay!".
Vixe! Pra quê?
O professor começou a argumentar então: "Ah, então você é homofóbico? Quer que todos os gays queimem na fogueira, morram, sejam espancados nas ruas simplesmente porque são gays?".
O cara tentou explicar a posição dele que deixou a classe toda confusa: "Eu não quero isso, só não acho certo esse negócio de quererem impor uma coisa assim..."(?).
O professor então combate: "Impor? Gente, alguém aqui se sente obrigado a ser gay? Eu, não me sinto. Vejo o movimento deles como uma posição de um grupo que foi oprimido por muitos anos, discriminado, marginalizado...nada mais justo que quererem os seus direitos como cidadão que o são..."
Ainda não contente, o cara ainda continua: "Mas eu não concordo..."
Um outro garoto da sala se levanta e diz: "E se eu disser pra você que eu tenho preconceito contra os negros?"
O cara que levantou a discussão (que é negro) simplesmente disse: "Eu diria que é um problema seu!".
Foi aí que o professor disse algo que valeu essa discussão toda: "Pois então, se você disser pra um gay que não gosta de gay, ele vai te dizer que é um problema seu!" Palmas pro professor!
Eu não me conformo até agora com isso!
Primeiramente, as vesperas de prova, o que tem a ver a Parada do Orgulho Gay numa discussão dentro de uma sala de aula, cujo tema era Émile Durkheim?
A maior raiva foi fazer a prova, juro que tava crente que ia cair alguma perguntinha sobre a Parada Gay!haha
Não, só caiu Sociologia pura mesmo! Durkheim estava la (lógico), Darwin, Comte e seu Positivismo (cuja frase de nossa bandeira tão linda* é inspirada nesse movimento). Mas, como era de se esperar, nada da Parada Gay!
As vezes da vontade de abandonar tudo sabe, chega uma hora que cansa! O pior é que saí por duas vezes da sala, fui tomar uma brisa, voltei...e a discussão continuava la! Deus é mais!
O pior de tudo é uma pessoa que certamente já sofreu preconceito em algum momento na vida, porque, não podemos negar né, os negros ainda sofrem preconceito nos dias de hoje. Bem menos, mais ainda sofrem! No meu ponto de vista, uma pessoa assim devia ser a última da face da terra a "discordar" da opção sexual dos outros.
Aliás, discordar do que? Qual motivo para alguém concordar ou discordar da opção sexual de outro alguém?
Cada um não é dono do seu nariz e pode levar a vida que preferir, desde que não esteja prejudicando os outros? Não se existe o livre-arbítrio?
Discordar? Concordar? Pelo amor de Deus né?
Existem tantas coisas por aí que poderíamos nos preocupar, tantas coisas que poderíamos "discordar" e não aceitar. Tanta gente passando fome, tantas pessoas vivendo em situação de risco no Brasil, tanta desigualdade social, tanta roubalheira na política...e o povo resolve dar importância a "não concordar" com o movimento gay.
O mais engraçado disso tudo é que, se você disser abertamente que não gosta de negros (estamos supondo, não existe preconceito aqui) você pode levar um processo por conta disso. Saia por aí, no dia da Consciência Negra e diga que "não concorda" com o movimento...em boa coisa não vai dar.
Respeitar o ser humano, independente se ele é branco, negro, gay, gordo, magro, etc é algo que humaniza o próprio ser humano.
Depois que eu digo que eu chego a gostar mais dos animais do que de seres humanos dizem que eu sou doido! Os animais, as vezes, são mais humanos do que os próprios seres humanos. Quem tem um bichinho de estimação sabe muito bem do que estou dizendo...
Bom, precisava desabafar sobre isso. É uma maneira de filosofar também não?
Aliás, tal discussão caberia mais a uma aula de Filosofia ou de Questão Social do que a uma aula de Sociologia, acredito eu. Ou melhor, essa discussão de preconceito tem pouca (ou quase nula) associação com a disciplina de Sociologia, ainda mais quando se está estudando os principais pensadores da Sociologia como ciência (Durkheim, no caso).